Diferenças nos vistos e a relação com o Brasil

As restrições à viagem internacional foram implementadas pelos Estados por uma série de motivos, como controlar o fluxo de refugiados, impedir a entrada de espiões, regular o mercado de trabalho e até mesmo impedir a disseminação de epidemias.
Os vistos, além de possuírem uma importante função simbólica, são também um instrumento econômico e político que refletem a relação entre os países, a assimetria de poder e o exercício da soberania e controle nessas relações. Nas últimas décadas, acordos que afetam essas restrições vêm aumentando cada vez mais, seja para fomentar seu turismo, comércio e oportunidade de investimento ou como um ato de retaliação.

O caso EUA: a defesa da reciprocidade formal

Recentemente, o Ministério das Relações Exteriores anunciou que turistas americanos passariam a precisar de visto para entrar no Brasil. Essa decisão foi tomada com base no princípio da reciprocidade, que consiste na adoção, por um Estado, de regras que correspondem ou espelham aquelas aplicadas ao seu próprio cidadão por outro país. É válido lembrar que brasileiros precisam de vistos para visitar os EUA e passam por um rigoroso processo de solicitação. A medida passou
a valer a partir de abril de 2025.
A decisão de restabelecer a exigência de vistos para cidadãos dos Estados Unidos e de seus aliados, mesmo diante de argumentos que apontavam possíveis ganhos econômicos com a isenção, indica que, nesse momento, a diplomacia brasileira atribuiu maior peso ao equilíbrio formal das relações e à afirmação da soberania por meio do tratamento mútuo. Assim, o princípio da reciprocidade foi reafirmado, ainda que isso implicasse abrir mão de benefícios turísticos ou comerciais associados a uma política mais flexível.

O caso China: a concessão unilateral estratégica

Em contraste, a China em 2025 anunciou a isenção de visto a turistas brasileiros que pretendem visitar o país por um período de até 30 dias. Essa medida foi anunciada logo após um fórum em Pequim, onde o presidente Xi Jinping prometeu ampliar a presença chinesa na América Latina, com uma nova linha de crédito de US$ 9 bilhões e cerca de R$ 27 bilhões em novos investimentos no Brasil. Ou seja, a isenção de visto funciona como uma ferramenta estratégica para facilitar negócios e consolidar a parceria econômica.

Por não exigir que o Brasil faça o mesmo, essa ação demonstra um caso de diplomacia assimétrica, em que não há troca equivalente entre as partes. A decisão chinesa funciona como uma estratégia de aproximação, já que medidas desse tipo geralmente buscam estimular turismo, comércio e investimentos.

Conclusão

Sendo assim, as políticas de visto também funcionam como uma forma de soft power. Quanto mais fácil é entrar em um país, maior é a circulação de ideias, turismo cultural e intercâmbios. Além disso, as políticas aplicadas ou recebidas pelo Brasil mostram suas prioridades e como o país se relaciona com outras nações.

A exigência de visto para os Estados Unidos segue a lógica da reciprocidade, já que o Brasil busca garantir um tratamento equilibrado entre os dois países. Já a isenção concedida à China indica um interesse crescente em fortalecer laços econômicos e uma relação mais voltada para a cooperação, na qual facilitar a mobilidade funciona como incentivo ao comércio e ao investimento.

Outro ponto a ser levado em consideração é o interesse de ambos os países em atrair turistas, pois os EUA já os têm, enquanto a China está em uma campanha global para atraí-los. Dessa forma, as políticas de visto refletem tanto interesses diplomáticos e econômicos, quanto preocupações de segurança.

Essa variação frequente nas regras e políticas de visto pode deixar o processo de solicitação ainda mais confuso. Portanto, para não se preocupar com a retirada de seu visto entre em contato com a Argos Consultoria Internacional. Aqui estamos sempre atualizados e prontos para te ajudar a realizar o sonho da sua viagem internacional.

QUEM ESCREVEU:

Júlia Silveira

Júlia Silveira

Consultora de Adm-Fin

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