No dia 23 de novembro de 2025, durante uma entrevista coletiva em Joanesburgo (África do Sul), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que pretende assinar o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia no dia 20 de dezembro.
Para que o pacto seja assinado, é necessária a aprovação da União Europeia, que ocorre através de votação no Parlamento Europeu. Se pelo menos 15 dos 27 países (65% do bloco) ratificarem o texto, o acordo será autorizado. Os países do Mercosul precisam submeter o documento final aos parlamentares nacionais, mas a entrada em vigor é individual para cada um.
Sendo aprovado, o acordo comercial entre os dois blocos econômicos possivelmente será o maior do mundo, envolvendo cerca de 722 milhões de habitantes e 22 trilhões de dólares em PIB. Dessa forma, o pacto entre os agrupamentos econômicos tende a gerar um grande impacto para a economia mundial e, por isso, deve ser acompanhado de perto por aqueles que desejam fazer parte do comércio internacional.
Acordo Mercosul X União Europeia: Histórico
O acordo de livre comércio entre os dois blocos estava em construção desde 1999. Porém, apenas em dezembro de 2024 ele foi anunciado, em Montevidéu, capital do Uruguai. No início, o objetivo era uma complementaridade entre as partes, com o Mercosul se destacando pelo agronegócio e a União Europeia por uma indústria mais fortalecida, liderada pela Alemanha.
No entanto, ao decorrer dos anos, a indústria alemã foi superada pela chinesa. Dessa forma, tornou-se interessante para a União Europeia manter mercado dentre os países do Mercosul, já que a indústria da Europa provavelmente enfrentará dificuldades com a concorrência dos Estados Unidos e da China a longo prazo.
Para que chegassem a um consenso, o acordo contou com intensos processos de negociações, visando solucionar desafios atuais em âmbitos nacionais, regionais e globais.
Dentre os tópicos do acordo estão os seguintes:
- Comércio de bens
- Regras de origem (para garantir que agentes econômicos de ambos os lados sejam beneficiários das preferências
- Facilitação de comércio
- Pequenas e médias empresas
- Compras governamentais
- Propriedade intelectual
- Empresas estatais
- Solução de controvérsias
Perspectivas dos países envolvidos
Países como a Alemanha e a Espanha e a Comissão Europeia defendem que o acordo com o Mercosul pode compensar os efeitos das tarifas impostas por Donald Trump. Para mais, países do Mercosul representam uma fonte confiável de minerais essenciais para a transição energética, a exemplo do lítio, cujo fornecedor principal atual é a China.
Nesse cenário, os países europeus apoiadores da proposta entendem o tratado como uma maneira de reduzir a dependência da China, com destaque para os minerais estratégicos. Assim, com o Mercosul representando um mercado em expansão para carros, máquinas e produtos químicos europeus, torna-se favorável para a União Europeia estreitar laços com seus membros.
Dentre os países que se opõem ao acordo comercial está a França. Sendo um dos maiores produtores agrícolas da União Europeia, o país teme perder espaço na concorrência com os países sul-americanos. A Polônia e a Itália também se encontram entre os opositores, além de agricultores europeus e de organizações ambientalistas europeias.
Impactos previstos
Com a efetivação do acordo, o Mercosul retirará tributos de 91% das exportações da União Europeia ao longo de 15 anos, enquanto a UE retirará tributos de 92% das exportações do Mercosul ao longo de 10 anos.
Um estudo feito pela Ipea, Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, concluiu que o Brasil seria beneficiado com um aumento do PIB, de investimentos e de ganhos na balança comercial, caso o acordo de livre comércio realmente entre em vigor. Além disso, o estudo aponta que, em termos relativos, o país teria ganhos maiores que os da União Europeia e dos demais países do Mercosul.
Conclusão
Os desdobramentos do provável acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia devem ser acompanhados, visto que podem impactar todo o comércio exterior. Dessa maneira, empresas brasileiras que desejam atuar internacionalmente precisam estar preparadas para possíveis mudanças, estando atualizadas quanto a mudanças de normas, tarifas e exigências ambientais.
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